A costureira

Essa é da série “Coisas que nunca vou entender”

Mas fazia muito tempo que eu não ia à uma costureira (ou Änderungs-Schneiderei em alemão, fale rápido!!), já que quando estava na Irlanda usava roupas “descartáveis” (oi Primark sua linda)!

Só esse ano, fui três vezes na costureira aqui. Na mesma, inclusive. Uma vez para ajustar meu vestido de noiva, outro pra diminuir as fronhas do travesseiro (aqui na Alemanha travesseiros e fronhas comuns são quadrados 80×80, mas meus travesseiros são ‘normais’ 40×80 e por isso tenho que mandar diminuir sempre as fronhas, blah) e a última vez, semana passada:

então que o Herr saiu um certo dia com pressa e enroscou o bolso da jaqueta pesadona de inverno no trinco da porta e abriu um buraco negro na lateral (muito interessante ver como a jaquela é por dentro, aliás). Se você visse, diria pra comprar uma nova porque se a jaqueta tivesse tripas, ela não estaria mais nesse plano. Enfim. E um pulôver de qualidade, feito de linho em máquina, desfiou um pedaço da gola.

E lá fui eu na costureira. Eu não entendo o que ela diz e ela não entende o que eu digo, mas nos falamos em alemão e não somos alemãs. Okay.

Eu mostrei a situação das vestimentas e antes que eu perguntasse se era reparável, ela já foi empurrando seu óculos pra perto dos olhos, puxou o bloquinho de pedidos e começou a escrever. Eu disse “caaaaarma molher, peraê, rola? Topas ou não topas? Quanto isso vai custar?” Ela avaliou e disse: fica pronto quinta que vem mas olha, não sei quanto vai custar (!), mas com certeza menos de 23 euros.

Ela continuou a escrever no papel (sem que eu tivesse dito que tudo bem ou que não) e me deu a cópia. Estava escrito: “1 jaqueta (bolso) e 1 pulôver (gola) quinta”. Só. Não perguntou meu nome, meu endereço, quiçá meu telefone. E assim saí da loja. E foi assim todas as vezes que estive lá.

Não sei se isso é regra para todos os costureiros daqui, mas pô, e se eu sumir ou esquecer? Ela vai vestir? Vender? Doar?!

Pois voltei ontem, e lá estavam a jaqueta e o pulôver, mais lindos do que antes de serem violentados, um trabalho sensacional da mulher. Me cobrou 18 euros.

Eu particularmente fico aflita por ela – que aparentemente tá nem aê – , porque que dom da confiança é essa né gente?

Dela, eu até receberia balinha de troco.

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10 respostas para A costureira

  1. Becca disse:

    Comigo foi assim com um sapateiro. Levei um par de botas pra colar, ele me deu um papelzinho com “número do processo”, data pra apanhar e preço. E só!

  2. Camila disse:

    Nossos travesseiros sao 40X60, ou seja, as fronhas destoam do resto… Uma vez levei umas fronhas a um alfaiate e levei o maior susto – ele queria 10€/fronha! (Eram 8 fronhas a ajustar. Sairia mais caro que o que paguei por um jogo inteiro!!!)
    Vou continuar nas fronhas desparelhadas e talvez fazer um curso de costura, pra ajeitar as benditas eu mesma. A Alemanha tem feito de mim uma pessoa cada vez mais autossuficiente… hahahahaha
    E o vestido, tem saído como vc quer?

    • brunahagemann disse:

      O vestido eu comprei pronto, baratíssimo, e fui só ajustar o busto. Ficou ótimo!
      Esses travesseiros 80×80 não me apetecem, meu deus, haja dor nas costas pra dormir com isso! Acho bonito pra decoração só, ou pra transformar em puff de cachorro hauehuae

  3. Ingrid Souza disse:

    O mesmo rolou na tinturaria semana passada, levamos a calca do terno do namorido pra lavar, a mulher escreveu la no bloquinho, deu a outra folhinha com o numero pra gente e disse, passa na segunda que ta pronto hahhaha.

    Po, mas agora lembrei que no sapateiro do lado de casa no brasil tb nunca deixei o nome ou telefone.

    beijocas

    PS: Levei capas de edredon e travesseiros pra minha mãe, ela reformou tudo, aumentou as capas e diminuiu as fronhas hahah.

  4. Ingrid disse:

    Por causa dessas coisas aprendi a costurar aqui na Alemanha, nao sou profi mas essas coisas básicas eu consigo fazer. Já costurei fronhas, cobertas, faco bainha de calca, etc. Meu vestido de noiva também precisou de ajuste no busto, nessa época eu ainda nao tinha a máquina, entao fiz tudo a mao mesmo e nem lembrei de procurar uma costureira, o que no Brasil eu fazia aos montes hehe

  5. Ah, aqui também é assim: A costureira é asiática – nao sei qual país – e nós nos entendemos bem nos nossos “alemaos” mequetrefes e ela superfofa, nao anota nada de mim, sempre sorridente, fala que fica pronto dia tal e deve custar tal tal, sempre assim desde o comeco. Acho que é porque aqui as pessoas, no geral, sao mais honestas? Mas agora ela sabe onde eu moro, porque eu disse que morava na esquina. O sapateiro também é assim, mas ele é alemao. Mas também talvez pq a sapataria fica no térreo do meu prédio, entao ele sempre me ve nas redondezas :) acho legal isso, mó cidade de interior, apesar de nao ser assim tao pequeno aqui em Fürth. x x

  6. Simone disse:

    Brunitz aqui do ladinho de casa tem uma costureira ou (o) e eu nunca entrei acredita? As minhas roupas sao descartaveis também, e as roupas de fresco do Iwan a mamae conserta, agora to correndo atras da sogra pra fazer umas capas pra minhas almofadonas do sofa, mas se ela nao tiver tempo eu vou dar um pulinho aqui do lado e ver quanto morre também.

    beijos

  7. babisenberg disse:

    Olá Bruna!
    Esbarrei no seu blog hoje meio que por acaso e vi que você mora em Hamburg? Está por aqui ainda? Porque eu também moro em Hamburg!! Que que anda fazendo pelas terras alemãs (ainda nao fucei muito seu blog)? Eu estou aqui com meu marido que esta fazendo doutorado…

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