Tunísia (parte 1)

Olá seres não-bronzeados!

Depois de duas semanas em solo norte-africano estou novamente na ativa (ou novamente não) no blog.

Então vamos com calma.

Saímos de Hamburgo dia 9 de agosto, num dia de chuvinha ranhentinha, uns 18 graus. Nosso vôo teve escala em Dresden. O vôo inteirinho, desde Hamburg até Hammamet (aeroporto de Enfidha que o Herr insistia chamar de Enchilada) foi um bafo de cecê daqueles bem germânicos. Sabe né, faz parte do dia-a-dia. Saindo do avião em Enfidha, um bafón de 40 graus de secura desértica.

No caminho do aeroporto até o hotel (cerca de 1 hora) vê se muita pobreza, mistura de línguas e desordem. E claro, muitos árabes. Fiquei matutando se o Herr pensaria duas vezes se oferecessem umas ovelhas em troca de mim.

Estivemos num clube-hotel em Hammamet. A praia de Hammamet consta com alguns hotéis, a maioria ‘clube’. Onde dá pra se passar muito tempo dentro, pois há programação para o dia todo. Shows, esportes, dança, bingo… Mas vos-digo-lhes, duas semanas é pedir pra sair. Não se dá para fazer nada a pé. Sabe caminhar na praia assim bem fitness? Aos 40 graus nem-a-pau. De Hammamet até Yassmine Hammamet de taxi dá 15 minutos, a pé não sei, não quero saber e tenho pena de quem sabe.

O hotel estava recheado de tchecos, poloneses, russos e alemães. ao chegar no hotel, fomos recebidos por uma mulher da agência de turismo que deu instrução para nós e os alemóns sovaquentos que nos intoxicaram acompanharam a viagem toda. Essa mulher é holandesa, mora na Tunísia há 20 anos e fala um alemão tão super que todos de Dresden pensaram que ela fosse de Hamburgo, e o povo de Hamburgo pensava que ela era de Hannover. Tá né?

Algumas dicas dela:

– Estás fazendo compras turísticas e te oferecem um preço. Abaixe para no mínimo 30% deste. E negocie. Eis um grande problema meu. Eu não sei negociar. Eu sempre pago o que o preço diz, e se for alto eu simplesmente não compro. Afinal, se eu tivesse um comércio, eu teria preço fixo assim eu poderia calcular meus ganhos e gastos. E não jogar na cara do cliente um valor que eu sei que é falso. Né? Enfim, negociar é uma arte e eu sou uma anta.

– Mulheres usem vestimentas até abaixo do joelho e blusas com mangas. Não é recomendado regata nem decotes absurdos. Esse mito foi quebrado pelas polonesas, que vi aos montes semi-vestidas. Talvez elas isso ajudasse nas negociações, não? Mesmo assim tem umas mais dangerous que fazem topless na praia. Pelas barbas do profeta! País muçulmano, pô. O pior da história é ver tetas de senhoras avançadas e depois ter que olhar na cara delas (já vestidas) durante o buffet do almoço. Isso não é coisa de Deus Allah.

– Evitar ao máximo beber água gelada. Estômago de alemão não é acostumado com água gelada em um ambiente de 40 graus e muita gente passa mal ao beber geladíssimo. Mãããããs eu sou pseudo alemã nascida em terra tupiniquim então eu PÓDO tá?

E olha, ficamos nos empanando nesta areia durante muito tempo. E pra evitar a fadiga, também fizemos viagens locais.

No hotel ficam circulando além dos garçons e o povo do entetenimento, os vendedores de tours locais. Eles oferecem viagens de três horas a até um dia inteiro para certos destinos próximos.

Estivemos na capital Tunis, em Carthage (Cartago), Sidi Bou Said, Nabeul e Hammamet Yassmine – como assinalei no mapa lá em cima. Farei posts separados sobre estes lugares porque é muita coisa. E também para enxer linguiça caso não tiver criativitê para novos posts. Ãh-ãh?

Então, informações wikipediais sobre o país:

Tunísia fica ao norte da África e é banhada pelo mar Mediterrâneo. Tem como vizinhas a Algéria (à esquerda), Líbia (à direita) e ilhas italianas ao norte (cerca de 60 km).

40% do território é deserto. Saara mesmo, le original. E sabe que nem é pela falta de água que dificulta a vida no deserto? E sim quedas bruscas de temperatura. Tem vezes que faz 50 graus de dia e de noite faz -1. Pensa!!

A terra onde Tunísia se localiza foi colonizada em 1.000 antes de Djêzuz Cráist pelos fenícios (palavra momento dejavu sétima série do primário). cerca de 850 séculos depois foi invadida pelos romanos. Enfim no século 7, Túnis, a capital do país era o mais importante centro do islamismo no norte da África.

Em 1574 a França toma conta do país. Logo, francês é a segunda língua do país. A primeira é árabe. E experiência pessoal: ainda falam alemão, russo, tcheco, polonês e arranham um inglês. Perguntei para um garçom do hotel cumassim poliglotismo, e ele respondeu: o árabe é a língua do país. O francês veio depois e é oficial… e o resto a gente aprende né? – disse ele apontando pros hóspedes. Vocês não tem noção de quando eu surrei este homem na minha imaginação. Gente. E não pensem que é por que ele trabalha no hotel. Vendedores de rua, da praia, pedintes. ‘Polska? Deutschland? Bielorussia?‘ e assim começam as negociações.

O povo alemão viaja muito, portanto encontra-se muitos alemães na área. E alemão tem ‘mania’ de dar gorjeta. E ser levemente grosso. Já a galëre do leste europeu é o contrário. Simpáticos mas pagam o preço no limite (palavra do vendedor de pipoca da praia). Ouvi algumas vezes uns vendedores para uns vizinhos de guarda-sol: ‘Aus Deutschland? Gott sei dank!’ (tradução livre, leve e solta: ‘Da Alemanha? Graças a Deus!’).

Okay, votando à Tunísia (posso? :D). O país tem +- 10.000.000 habitantes e 20% destes mora na capital. Destes, 99% são muçulmanos. Mesmo assim eu vi muita, mas muuuuita mulher sem o véu. Diria que vi mais mulher sem véu do que com. Não sei explicar.

O país é pobre (já falei isso antes?), inclusive a capital tem uma péssima aparência. Portanto, o país vive de turismo. Porque de praia, eles entendem muito bem e foram muito bem abençoados. Inclusive o aeroporto de Enfidha é novinho em folha, fica no meio do nada das arábias, mas próximo dos hotéis. Dizem os locais que os donos dos hotéis (eu diria que seriam cerca de 20 hotéis em Hammamet e Yassmine Hammamet) que patrocinaram o aeroporto. Que cá entre nós dá um banho em muitos aeroportos de médio porte que já vi.

Você sabia que a primeira oliveira da história foi vista na Tunísia? Portanto, Tunísia é o segundo país que mais exporta azeite de oliva. O primeiro claro é a Grécia. Mudou sua vida? Hum.

Dizem que há mais oliveiras no país do que gente. E colher azeitonas é um trabalho bastante popular e de pouco valor.

Existem jovens de famílias de classe média alta (tem gente ryka sim e isso será comentado em outro post) que faz faculdade na Tunísia mas não tem trabalho após se formar (dejavu número dois). O que resta é catar azeitona. Portanto os jovens ‘com estudo’ em sua grande maioria se manda pra Europa (maioria na França e Itália) para… trabalhar em sub-emprego (êêê terceiro dejavu).

A moeda do país é dinar (leia-se diná) e assim como nosso falecido Cruzeiro Novo, é em milhares. Por exemplo, um produto custa 2.000 dinars mas o povo diz apenas 2 dinars. Inclusive algumas notas não apresentam a contagem de mil, mas é mil. Mas o povo não chama de mil, mas escreve mil nos preços. Confuso, sim. Dinar em relação ao Euro: aproximadamente 2/1. Ou seja, 2 (mil) dinars = 1 euro. Uma viagem de taxi de 15 minutos custa 5 dinars (ou seja, 2,5 euros: nada). Um jantar bacana para duas pessoas num restaurante bom: +- 50 dinars (ou 25 euros!).

Religião: bla bla bla muçulmanos bla bla bla. Não é bem disso que eu quero falar. Estivemos lá em época de Ramadan. Sabe o que é o Ramadan? É o nono mês do calendário islâmico onde eles praticam o jejum. O jejum minha gente, é poder comer apenas entre o pôr do sol e o nascer do mesmo. Ou seja, das 6.30 até as 19.00 nada de comida, bebida ou cigarros. E não pense que o chef do restaurante do hotel estava fora dessa brincadeira! Ele é então proibido de provar a própria comida, portanto cada refeição era uma surpresa. Que tal? Aventuras mil! Então, se fores para algum país de maioria muçulmana, não vá durante o Ramadan.

Política: coisa que super não me interessa. Mas enfim. Em dezembro de 2010 o povo protestou contra o presidente vitalício Zine El Abidine Bem Ali. Ninguém gosta do regime deste presidente e todos querem democracia. Os jovens querem trabalhar e seguir carreia profissional, mas estão abandonando o país. As crianças querem brincar e ir às escolas, mas estão vendendo qualquer coisa nas ruas até tarde da noite. Os adultos querem salários dignos. Lembrando esses adultos são poliglotas, mas não sabem escrever direito. Não há crescimento profissional pouco pessoal em um país com dificuldades em geral.

Após a queda do presidente, o país está meio que sem governo. Quem manda no momento é a Polícia. Em outubro será feita uma nova eleição e todos estão ansiosíssimos para uma possível democracia. Como não há um governante, muita lei não vale, não é cobrada e a bagunça é geral. Por exemplo, pegamos taxi umas 6 vezes. Destas 6 vezes, todos os motoristas não usaram cinto de segurança. Ainda acenam pros policiais. Tá né?

Bem, depois que a Tunísia derrubou o presidente, alguns países árabes estão também querendo dar um chega-pra-lá em seus presidentes. Como estávamos há quase duas semanas sem internet e sem notícias do mundo, ficamos sabendo por um taxista no domingo 21 que o presidente da Líbia pegou seu banquinho e saiu de mansinho, certo?

Tudo fez sentido, pois no sábado dia 20 estávamos em Yassmine Hammamet e vimos um pequeno grupo protestando e tal (no domingo foi maior). Eu, curiosa, logo liguei a câmera e filmei (foi mal a qualidade porca). Poderia ter sido um grupo terrorista, poderia ter sido algum partido político que vai concorrer em outubro. Mas… era o povo da Tunísia comemorando pelo povo da Líbia! Afinal, foi a Tunísia que começou essa puxação de tapete dos governantes e apoiou ao máximo os vizinhos a também o fazerem. Mesmo tendo sito uma pequena comemoração, fiquei bem feliz e emocionada por ter visto de pertinho um fato histórico :-)

Me avisem se souberem o que o povo grita

Então, that’s all folks por hoje. Amanhã (ou não) volto com a segunda parte da viagem. Ou o resto desta parte. Tenho a sensação que algo faltou, vamos ver ;-)

Bêidjos!

Anúncios
Esse post foi publicado em Viagens. Bookmark o link permanente.

12 respostas para Tunísia (parte 1)

  1. Helvia disse:

    Oi minha linda ! eu já estava sentindo a sua falta!
    Estou no aguardo dos próximos capítulos !
    Bjs

    • Erika disse:

      Oi Bruna. Acompanho seu blog desde q morava na Irlanda (voltei ao Brasil ha 1 ano e 1 mes), tenho uma preguica de comentar. Mas assim, eu sou muculmana e estou no meu segundo ramada, eu achava q nao poderia provar comida, mas ha uma semana quando eu estava cozinhando, meu marido q tmb e muculmano (nascido) disse q provar comida nao quebra o jejum, entao a nao ser q o chef nao saiba dessa regra, o q acho dificil ja q e um pais de maioria islamica, ele deixaria de provar a comida se ele acreditasse q tinha pesado a mao em alguma coisa. Digo isso pq mesmo fora do ramada nao tenho o costume de provar comida, entao o chef com a experiencia nao consegue saber se ta bom ou nao? enfim, amei o post. bjs

      • brunahagemann disse:

        Oi Erika! Que bacana seu comentário :-)
        Pois é, quem me repassou a informação foi a holandesa. Ela conhece todo mundo do hotel.
        Sabe, mesmo se ele exprimentou escondidinho, fez muito sentido pq algumas comidas assim… estavam muito apimentadas!!
        Se seu marido tem certeza que não é proibido, eu vou é ligar pro hotel agorinha mesmo :P

        Beijos e volte sempre ;-)

  2. Ana Gaspar disse:

    Oi Bruna!!!
    que emocionante a sua viagem!!! vc conta em detalhes, muito gostoso ler…rsrsrrs..
    Ah! eu voto em “roupas intimas”, bom se você tiver um tempinho extra, faz as duas…
    Bom Bruna sobre o sotoque…ixiiiiiiiiiii…nao sei nada de alemão ainda, vou ralar muito, você estudou a onde alemão garota??
    beijosssssss e aguardo seu retorno…
    Ana

  3. Cintia disse:

    Estou ansiosa pra ler o resto, Brunilda. Adorei! beijo

    • Ingrid Souza disse:

      Isso me lembrou meus dias de Middle East, em Israel eu morava no MEIO do deserto do negev,batia 46 na sombra facil e ficava dificil ate pra respirar, mas alem de ter airco em tudo, a noite dava aaaaquela refrescada e eu dormia feliz, oque nao rola por aqui, que com 22 graus eu to morrendo por conta da humidade e do BAFO QUENTE, JESUIS, nem brisa tem.

      Super quero ir pra Tunisia, continue contando porque achei suuuuuper cool. =)

      Beijocas

  4. Ingrid disse:

    gostei do “seres nao bronzeados” rsrs
    Eu acho que talvez a desordem esteja um pouco maior agora depois dos problemas
    que houve por lá, eles estavam meio que em clima de guerra mas agora deve estar
    tudo mais calmo novamente.

    Legal as dicas da mulher da agencia. Assim se faz também quando estrangeiros chegam ao Brasil, só que as dicas sao outras, tipo andar amalamanhado, sem celular, sem relógio, além dos alertas de roubo, aff.

    Essa das mulheres semi-nuas e desacompanhadas é perigoso até! por isso uma australiana foi estuprada nos Emirados Árabes.

    Incrível como eles podem falar tantas línguas! a mesma coisa acontece no Marrocos e na República Dominicana!
    Uma vergonha pro Brasil né! pelo menos em Recife é difícil encontrar um hotel onde se fale pelo menos inglês imagina o resto entao!

    A tradicao das negociacoes vc vai encontrar em qualquer país de origem árabe que visitar! até mesmo a Turquia que é bem conhecida por esse tipo de coisa. Vc negocia desde o taxi até um doce que compra na rua rsrs.

    Mas que bom que a viagem foi legal e valeu a pena! mas esses 43°C ai meu deus!!!

  5. simone disse:

    Olha toda exótica trabalhada no verão africano! Agora que já comentamos, politica, relevo, clima, história, religião me conta, você recomenda a Tunisia?

    beijao

    • brunahagemann disse:

      Pessoa comentando no trabalho detected! Tive que aprovar seu comentário que até então era automático haehua

      Recomendações e tais ficam para o fechamento da novela ;-D

      Exótico meeeeesmo é meu bronze beige tám?

  6. elizabeth disse:

    adorei seu comentario quero ir para tunisia hammamet mas tenho medo eu sou brasileira vc poderia mim da uma digas por favor .

  7. Deise disse:

    Vou morar na Tunísia, e quero saber se você conhece algum lugar que admita brasileiros. Uma dica de emprego pra mim. Obrigada.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s