A política da boa vizinhança

Nada mais prazeroso, gostoso e divino óbvio do que reclamar dos alemães na Alemanha, né?

Então,

estava eu hoje toda peposa faxinando e preparando para lavar roupa. Super para um dia lindo de sol né? Lavar roupa: uso a máquina comunitária do prédio, pois não precisamos de uma em casa, salvo que não lavamos muito por sermos só dois.

As máquinas comunitárias do prédio são duas lavadoras e duas secadoras. Todas funcionam com uma moeda especial, que deve ser comprada com o zelador do condomínio. Para quem não sabe quer usar as secadoras, pode usar os quartos comunitários de varais. Eu claro, uso estes ;-)

Na sala das máquinas tem uma agenda e quem quer usar deve escrever seu nome e horário que queira usar, para evitar fila desnecessária.

Pois bem, hoje (umas 10 da manhã) e escrevi meu nome lá para lavar as 11.30 da manhã, duas lavagens na máquina “1”. A máquina “1” é mais nova e é a única que sei usar rá! A “2” é meio jurássica e eu nunca usei. Portanto, faço lavagens sempre na máquina “1”.

Como eu vi que ninguém ia lavar hoje, levei as roupas as 11.20. Chegando lá, estavam usando a bendita máquina “1”! Estava ligada havia 5 minutos, e as lavagens duram cerca de uma hora. Fiquei aputeada momentaneamente, pois a pessoa além de não ler a agenda com meu nome lá, não escreveu o próprio. Poaham, ou eu espero a lavagem do ghost ou eu uso a máquina “2”. E foi o que eu fiz. Liguei a Flintstone e rezei para ter apertado o botão certo de lavagem.

Tudo certo, funcionou bacana. Quando voltei lá já tinham retirado as roupas na máquina “1” e eu usei esta para a segunda leva de roupa.

Ao retornar para pegar as roupas lavadas, tinha uma senhora na salinha com a agenda na mão. Ela me pergunta se eu tinha usado a máquina “2”. Eu disse que sim. Aí ela num misto de grossa com querida, perguntou se eu li o aviso na parede (tem trilhões deles, sobre como usar as máquinas, da onde elas vêm e bla bla). Porque tem que limpar a paradinha onde bota o sabão em pó e o amaciante pq senão fica encardido e tal. Mas isso, minha gente, é restrito à máquina “2” (falei que é véia). Ela inclusive disse que tinha que deixar essas partes abertas para não mofar.

Eu sorri e disse: olha senhora, meu alemão não é muito bom para ler este texto. Eu moro aqui há quase 2 anos e sempre usei a máquina “1”, pois para mim é mais simples. Eu nunca usei e não sei usar a máquina “2”. Mil desculpas! Eu até reservei, como a senhora pode ver na agenda. Mas quando desci com minhas roupas a máquina “1” estava sendo usada! Veja só que coisa! Nada pude fazer além de ser obrigada a usar a máquina “2”. Aí dei um sorriso maroto e perguntei: foi a senhora que usou a máquina “1”?

Aí ela sorriu amarelo com cara de quem peidou em silêncio e disse: eerr… sim fui eu! Aí ela abriu um sorrisinho e perguntou: que bloco você mora? Nunca te vi antes por aqui! Moras aqui há muito tempo? Da onde você é?

Respondi tudo bonitinho, agradeci pela explicação da limpeza da máquina “2” e me desculpei pelo incômodo.

Aí ela se desculpou mais ainda.

Aí virei as costas e saí da sala, toda arrebitada, com uma energia vencedora, que estraçalhou os inimigos com as mãos. Depois disso pensei: “se eu acabei de ter um diálogo muito claro e compreensível em alemão, provavelmente eu sei ler aquela bosta de papel na parede… hum.”

Toma essa, sociedade.

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12 respostas para A política da boa vizinhança

  1. Miss Cherry disse:

    tapa de luva de pelica

  2. Eve disse:

    hahahahaha
    É nessas horas que dá um orgulho danado de estar aprendendo alemão.
    bem feito pra ela! rá!

    bjs!

  3. Ana disse:

    Adooooooooooro quando esse tipo de coisa acontece. O povo vem no maior atrevimento tentar de dar um esporro e, acabam perdendo a razão! Parabéns pela “conversinha pé de orelha” com a tiazinha!!! Poderosa no alemão!!

    Obrigada pelo comentário lá no blog. Eu dei entrada no meu pedido após 7 anos, pq antes nao tive interesse.
    Até onde sei, vc pode dar entrada após 3 anos de casamento e posse de visto permanente de residência ou após 8 anos de residência(aí nao precisa comprovar nenhum tipo de vínculo matrimonial).
    Boa sorte!

  4. caplopes disse:

    e em português, você virou para ela e disse bem baixinho: chuuuuuuuuuuuuuuupa

  5. Pruna tumultuando altos na Germânia!!11!! LOL

  6. Ingrid disse:

    Bem feito pra vozinha! engracado que qdo esse povo tá errado e ainda tem coragem de querer reclamar ne! espero que ela tenha aprendido a licao! nada mais gratificante do que colocar uma pessoa assim no seu devido lugar! hahah

  7. Simone disse:

    ahahahahhah toma véia!!!!!!!

  8. Cintia disse:

    Aconteceu isso comigo quando morava no apartamento no centro da cidade. Mas eu estava grávida, com os hormonios todos virados e sabe o que eu fiz: abri um berreiro e o cara ficou paralisado sem saber o que dizer, pedindo desculpas qdo viu o tamanho da minha barriga….

  9. Pingback: A política da boa vizinhança III « Brunalemanha

  10. Maria disse:

    Gostei…kkkk

  11. Pingback: Correio elegante | Brunalemanha

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