Reclamo sem razão

Tá, quando você é brasileiro e vaza do Brasil, é sim bacana fazer amizades e contatos com conterrâneos.

Isso abre um extenso leque de discussão, eu sei. Tem gente que inclusive defende o fato de que manter contatos brazucas fora da terra onde canta o sabiá tem seus lados negativos como a dificuldade de aprender uma nova língua ou de se acostumar com novas culturas e tradições. Vai dizer você, colega brasileiro (a) expatriado, que não pipoca pagode e forró aí onde você mora? Então.

Pois bem. Na Irlanda eu não tive problema nenhum em fazer amizades brasileiras. Pois geograficamente, é mais fácil fazer amizades com brasileiros que irlandeses na Irlanda. Sim. Para calourada que chega na Irlanda, não se assuste em estudar em escolas onde o português domina nos intervalos e ouvir fofocas com aquele sotaque da nossa terra em toda esquina.

Já na Alemanha, precisei usar diretamente as ferramentas orkutíceas e facebokísticas para encontrar uns perdidos. Achei estranho no começo, mas com a prática comecei a perceber uma coisa óbvia: não importa onde o brasileiro está, ele vai se envolver com o meio onde vive. Como assim mestre Bruna? Na minha experiência irlandística (olha, eu to na terceira taça de vinho, liga não) os brasileiros aprendem meio por osmose, a se comportar como irlandes. Afinal ali mora, agora tem que respeitar novas regras e tem que se habituar com pessoas diferentes. E na minha opinião, irlandes é gente boa, pessoa confiável, de bom coração, simpático e gosta de conhecer esse bando de imigrante. Preciso dizer que generalizei ou tenho que desenhar?

Generalizando na mesma moeda (? ai que vinho barato), percebi que brasileiro na Alemanha de alguma maneira começa a pescar umas manias teutônicas. Os poucos contatos que aqui tenho e mantenho, são concretos (não Bruna, líquidos. Próxima taça, please) mas não constantes. O que não quer dizer que não sejam confiáveis e prazerosos.

O negócio é: na minha experiência, funciona mais sair sozinha nas ruas de Dublin do que nas ruas de Hamburg para conhecer gente (de todas nacionalidades). Deve ser a água daqui. Cheia de calcário, por sinal.

Sim, eu sei que depende do próprio ceromâno fazer os contatos acontecerem, mas não podemos excluir o quesito “habitat”.

Enfim, quantas vezes eu já troquei meias palavras com brasileiros perdidos por Hamburgo, trocar telefone, “me liga, vamos nos encontrar, marcar algo, chamar mais gente?” e desaparecerem do mapa? E pessoas conversando alto em público e falando baixarias? Aí eu faço aquela cara de paisagem e prefiro não me intrometer. Vergonha só defendo a própria. A alheia não.

Agosto do ano passado, eu estava num playground com meus lourinhos e tinha mais uma menina (que chamarei de J.) no parque, de uns 9 anos, com a mãe e a avó. E o sotaque carioca rolando forte. Estranhei por início, pois estávamos em um bairro de classe alta e é incomum ver brasileiros naquela área. Puxei um papo básico com elas e ficou por ali – pois provavelmente nos encontraríamos outras vezes no parque.

Nunca mais, até sábado. Um dia lindo a 23 graus e cheirando a Sundown, parque lotado de alemoinhos. Reencontrei J. agora com seu pai. Como eu estava no batente (lê-se correndo e fazendo bolinhas de sabão), falei um ‘oi, tudo bem conterrâneos?’ que o pai ficou tão surpreso (por encontrar uma azeda das canelas brancas correndo ali) que nem progrediu a conversa.

Quando passei por eles, J. olhou pro pai com aquela cara de desinteresse e disse: “pai, você conhece ela?”

Ui me senti excluída hauehau

E assim ficou. Quem sabe no próximo verão?

(Cêjura que eu bebi segunda de manhã… esse post foi escrito sábado :)

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6 respostas para Reclamo sem razão

  1. Mi disse:

    haha os brasileiros aqui com certeza ficam teutonicos…e tipo, gato escaldado tem medo de agua fria. ;) Ja encontrei de tudo por aqui, e sinceramente…no Brasil eu nao faria amizade com a 1a pessoa que encontro na rua. Aqui nao é diferente. Mas tb nao mando ninguem rodar ne? é questao de conhecer a pessoa…se a quimica bateu, pronto! =) bjs!

  2. Thais disse:

    Oi, nem sei como achei seu blog, mas venho lendo há algumas semanas e resolvi comentar. Acho que o que aconteceu é mais uma “esquisitisse” carioca (se eles forem do Rio mesmo) do que brasileira. Explico, sou filha de cariocas, criada no RS e me mudei para o Rio adolescente. Já passei por várias situações dessas da pessoa nem te conhecer, contar umas intimidades bizarras, e tempos depois encontrá-la em outra situação e a pessoa nem aí. Finge que nunca te viu ou faz menção que vc é uma louca que fala com qualquer um. Acho que é cultural aqui. Essa história que o povo é simpático, super receptivo no Rio não rola na Zona Sul, não…

  3. Helvia disse:

    Olá Bruna!
    Você está ligada na programação de verão do PB?
    No dia 22.05 a partir das 15:00 hs. eu estarei lá, se você for seria bom nos encontrar-mos ,o que achas?
    Abraços
    Helvia

  4. Eve disse:

    Aí a menina chegou em casa e:
    – Mãe, o pai tava falando com uma mulher brasileira que eu não conheço!
    – Quem é ela, Alberto!? Quem é ela!?!?!?!?
    Kkkkkkkkk

    Mas, ó, to com a Mi. rsrs

    Bjs!

  5. Gisley Scott disse:

    Já tive dessas experiências tb…Tive uma menina que estava comprando algo onde meu marido trabalhava e ele notou que ela era brasileira,daí ele falou com ela e qdo ela soube que eu tb era brazilian, pediu meu telefone e até nos encontramos no mesmo dia..Pensei que a amizade iria decolar ali…Ledo engano,depois disso a pessoa sumiu…Será que são as más experiências que levam as pessoas a tratarem as outras como se elas fossem alemãs/americanas?

    Não sei…Essa é a pergunta que pra mim sempre vai ficar no ar..Bjos

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